segunda-feira, 22 de março de 2010

A eternidade em dois atos.

Primeiro Ato.

A essência da alma é, muitas vezes, ocultada. Seja por um abantesma psicótico que persegue as carcaças sem alma, nos dias de hoje, ou por simples medo de abrir-se. Eis que vós, que ostentais a difícil patente de ser humano, tens de combater infortúnios da vida. Porque, veja bem, lutaste com teu suor e sangue, brigaste com tudo e todos, desafiaste as leis da física e as regras diviníssimas.

A eternidade é um dogma celestial, cabe a ti, ser ínfimo, acreditar nela ou não.

Segundo Ato.

Sob a lua se escondem sentimentos contundentes, expulsos como forasteiros dos fétidos corações humanos. Tornar-lhe-ão uma criatura etérea, se bem deixares tais sentimentos entrarem no teu corpo, queimando suas veias e potencializando todos os seus músculos e nervos. Ouça bem, o segredo da eternidade por entre o mundo dos vivos, mas no fundo da selva abespinhada de tua alma. Procure-a com tua vida, e, um dia, terás a devida recompensa.

Sob a escuridão do mundo, o caminho que leva à maldição da eternidade.


Fim dos Atos.

Respostas.

Uma vez, perguntaram-me se eu tinha sonhos. Eu disse que não.
Perguntaram-me se eu tinha fantasias sexuais. Eu disse que não.
Perguntaram-me se havia alguém em meu coração. Eu disse que não.
Perguntaram-me se eu odiava alguém. Eu disse que não.
Perguntaram-me se eu era emo, ou grunge. Eu disse que não.
Perguntaram-me o porquê das mesmas respostas.

Então eu respondi que não havia dito uma palavra sequer.

Todos se perguntaram, então, como isso foi possível. Completando a frase, eu disse: 'Ora pois, ouviste as respostas que queria ouvir. Não procures por respostas sem ter fundamento nas perguntas.'

E todos se levantaram da mesa e deixaram o recinto.

A pureza dos ventos.

Vejo que, mesmo tentando adentrar na peneira estreita que minera os mais perspicazes, - ou inocentes, diga-se de passagem - não caibo nesse estereótipo tão pequeno. É um tipo de claustofrobia social. Muitos veem este problema como um motivo de internato, muitos veem como uma grande vantagem de uma elite seleta.

Muitas vezes, queria estar jogado aos ventos solitários de um campo gramíneo. De fato, queria estar ali, recebendo aquela rajada purificadora que levaria a brisa refrescante e o aroma das flores ao meu nariz. É como deleitar meus róseos lábios com um gole de vinho. Sinto-me mais satisfeito, do que quando estou jogado ao dióxido de carbono.

Porque os ventos mais puros são os que possuem a inocência. Os ventos urbanos, obviamente, têm de buscar um pouco da arrogância, presente em pequenos núcleos, mas em grande quantidade. Os ventos puros são os que ascendem bravamente, e não os que são proporcionados por coisas mundanas e artificiais. O vento puro é o vento que eu queria respirar, para sempre.

Mas infelizmente, a peneira da sociedade fez-me cair, selecionando-me.